quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sinto falta da bonança do meu sorriso criança

Perdido procuro os campos e poente multicor
Já não vejo pirilampos alumiando corredor
Sinto falta da bonança do meu sorriso criança
Resquícios de brisa mansa as laranjeiras em flor

Nessa lembrança vem saudade da distância
A minha infância se bandeou pra o lado oposto
Vai derramando a pipa d'água de meus olhos
Deixando trilhas pelas rugas do meu rosto

Cadê a tropa de mentira que jamais teve refugo
O meu lacinho de imbira boleadeiras de sabugo
A tropilha malacara se perdeu numa coivara
E meu potro de taquara me fugiu com laço e tudo
Perdi o caniço franzino nas águas turvas do açude
Rolou meu sonho menino que nem bolita de gude
Sumiu a estampa fagueira qual pandorga caborteira
Numa tarde domingueira campeando minha juventude

Com seu bodoque certeiro pacholice de piá
O mundo mal atraiçoeiro me abateu como a um sabiá
Nos alambrados da vida campeio a infância perdida
Que as arapucas bandidas deixaram ao Deus dará...

Lá eu tinha tudo...

Agora eu sei que tinha um céu aberto
E que no pátio era mais liberto
Pois era livre por saber sonhar
(Lambari)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Borrachos, será?

Os anos passam a idade vai pegando e os problemas de saúde vão se apresentando. A pressão se vai e o medo de um ataque "cardiaco" é evidente, sendo assim essas duas criaturas ai, tem o habito de verificar a pressão, foram estes dois ao pronto socorro de Caçapava do Sul,  imagine a cena, os dois ai do lado, o pai na sua tiragem bombacha velha, remendada, camiseta branca podre de barro e uma camisa desbotada, aberta meio suja, a moça verifica a pressão deles e sem novidades estava alterada, alias bem alterada, a moça olha, análisa e pergunta: - O que vocês estavam fazendo, tavam tomando cachaça?
Até no pronto socorro eles tem história!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Imenso Orgulho...

"Nas manhãs de primavera
Quando vou para rodeio,
Sou menino de alma leve
Voando sobre o pelego."

Pai...

Pelas tantas vezes que fez as minhas vontades quando não queria ficar na aula para ir pra fora contigo,
pelas tantas coisas que me ensinaste
pelas histórias que me contou
pelos valores que me mostrou
por tantas coisas que não cabem aqui
pelo orgulho que tenho em ser tua filha...

e que digam quando eu passe saiu igualzita ao pai...

Vô Heroi

Os olhos cansados do velho tropeiro
O rosto enrugado que a vida lhe fez
As mãos calejadas relembra o aramado
Das tropas de gado, só sobrou uma rês.

Arreios sovados, guardados com zelo
Relembra dos pêlos que tanto montou
Pra o velho tropeiro só resta lembrança
Dos berros de boi que o destino levou

A idade avançada já quase no fim
Relembra em mim seus tempos de piá
Quando ouvia o berrante que seu pai tocava
Pra abrir a porteira pra boiada passar

Mateando solito ao redor do braseiro
O velho tropeiro reconhece seu fim
De repente seu neto lhe faz um pedido
Me deixe o berrante de herança pra mim

Depende do referêncial...

Pink e cérebro, ou cérebro e pink, tudo depende do referêncial.
Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito...
Sem maiores comentários...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Depilação...

Na teoria da evolução, Darwin disse que o homem e o macaco possuem um ancestral comum. Há muitos anos atrás, este animal (que era uma espécie intermediária) por pressões do meio e isolamento geográfico seguiu duas linhas evolutivas diferentes: Uma veio dar origem a espécie humana e a outra deu origem aos macacos.

O problema é que nossos ancestrais nos deixaram de herança os pêlos. E esses pêlos, que não servem para nada, devem ser retirados periodicamente para que fiquemos com um aspecto limpo.

Os homens não precisam necessariamente passar por essa tortura. Mas a grande maioria enfrenta problemas com os pêlos da face. Com barba ou sem barba? Tem uns que odeiam barba, mas odeiam também fazê-la. E aí complica. Lá ficam eles com cara de "desempregado deprimido" com a barba por fazer.

E as mulheres? Que enfrentam numa só sessão de depilação, buço, axilas, tanga e pernas? É pra matar! A gente lá decidida a acabar com aqueles malditos pelinhos horrorosos e xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii (faz de conta que é o barulhinho da cera arrancando tudo) e você perde o buço. Dá vontade de mandar a depiladora pra P.Q.P..

Então você tira a blusa e entrega sua axila pra ela passar a cera e você lá, conversando numa boa quando de repente xxxxxxxxiiiiiiillllliiiii, lá se foram os pelinhos da axila. Nessa hora você pensa em desistir e dizer:- vou lançar uma nova moda: Sovaco com pelinho, outro sem. Resolvendo agüentar, respira fundo e entrega com dó o outro sovaquinho. xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii e xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii e termina a tortura. Ainda bem que fica quase nada com o passar do tempo quando se utiliza cera com frequência.

Mas o pior está por vir. A tanga. É indescritível a dor, mas vou tentar descrevê-la. Você abre as pernas e a vivente passa a cera quente na área a ser "desmatada". É ali, naquele momento que se pensa em dizer: ok, ok, ok, eu desisti e vou pra casa tirar tudo isso com água quente. Tudo de bom pra senhora e até nunca mais!

Não adianta! A vaidade fala mais alto e você lembra que seu amor vai olhar para o Parque de Diversões e não vai saber onde fica o acesso para chegar "aos brinquedos". Então, lá vamos nós. Damos a ordem: taca-lhe ficha! e xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii ,você começa a suar, mas vê que dá para sobreviver. xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii vem o pensamento: vai pra P.Q.P. depiladora fiadap... xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii vou morrer, xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii porque homem não precisa passar por isso? xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii aí também não!!! peraí, xxxxxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii você já tá exagerando xxxxxxxxiiiiiiillllliiiiiiiii aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiii pôrr...!!!!!

E então você dá uma olhadinha para ver se enfim terminou a tortura e constata que ficou um amor. Ai que bom! Terminou! Da próxima vez vou tentar fazer um coraçãozinho nos pêlos pubianos... Tchauzinho! Até a próxima!

Você vai embora aliviada e feliz, sentindo-se limpinha e pronta para mostrar que o Parque de Diversões passou por manutenções e está lindinho para ser visitado. Então você finge que não lembra que dali 15 dias tudo vai se repetir e assim será para o resto da vida. Ou pelo menos enquanto o Parque estiver funcionando.

Cadê o macaco que começou tudo isso que eu vou terminar de matar ele!
Por Renata Miranda

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Genética forte!

Vó Maria, com seu bigode feito com "tisna" do fogão à lenha...

Vô Juvêncio Pai dançando pirigueti, efeito 50 anos

Até a Maria....

Filha nós vamos em uma loja tá... eba mamãe.... tralalala... e como de prache as moças da loja dizem, que linda que tu é... pronto! a duda começo a solta o verbo, ai as moças diziam como tu é falante, e ela tralalalalalala... na hora de ir embora, tchau duda... duda diz tchau, ela me olha bem no grão do olho, aperta o nariz pra fala fino que nem piu de pinto, e diz assim pra toda loja ouvi: MILHO...
diz milho também mamãe que é muito engraçado hahaha...
créditos a Fernanda, que invento a história do milho!



quarta-feira, 14 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

????

"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha, Quantos você desistiu de sonhar!?
Quantos amores jurados pra sempre; Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava; Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Deus das Coisas Pequenas

"Me sinto uma fracassada".

Não é uma frase fácil de se ouvir de alguém. Soa até mesmo incompreensível quando se trata de uma mulher linda, rica, que mora num sobrado deslumbrante, passa uma parte do ano no Brasil e a outra em Nova York, é casada com um homem igualmente lindo e apaixonado por ela, tem dois filhos que são uns doces, é uma profissional bem sucedida e já deu a volta ao mundo uma meia-dúzia de vezes. O que é que falta? "Um projeto de vida", responde ela.

Existe uma insaciedade preocupante nessa mulher e em diversas outras mulheres e homens que conquistaram o que tanto se deseja, e que ainda assim não conseguem preencher o seu vazio. Um projeto de vida, o que vem a ser? No caso de quem tem tudo, pode ser escrever um livro, adotar uma criança, engajar-se numa causa social, abrir um negócio próprio, enfim, algo grandioso quando já se tem tudo de grande: amor, saúde, dinheiro e realização profissional. Mas creio que esse projeto de vida que falta a tantas pessoas consiste justamente no que é considerado pequeno e, por ser pequeno, novo para quem não está acostumado a se deslumbrar com o que se convencionou chamar de "menor".

Onde é que se encontra o sublime? Perto. Ao regar as plantas do jardim. Ao escolher os objetos da casa conforme a lembrança de um momento especial que cada um deles traz consigo. Lendo um livro. Dando uma caminhada junto ao mar, numa praça, num campo aberto, onde houver natureza. Selecionando uma foto para colocar no porta-retrato. Escolhendo um vestido para sair e almoçar com uma amiga. Acendendo uma vela ou um incenso. Saboreando um beijo. Encantando-se com o que é belo. Reverenciando o sol da manhã depois de uma noite de chuva. Aceitando que a valorização do banal é a única atitude que nos salva da frustração. Quando já não sentimos prazer com certas trivialidades, quando passamos a ter gente demais fazendo as tarefas cotidianas por nós, quando trocamos o "ser feliz" pelo "parecer feliz", nossas necessidades tornam-se absurdas e nada que viermos a conquistar vai ser suficiente, pois teremos perdido a noção do que a palavra suficiente significa.

Sei que tudo isso parece fácil e que não é. Algumas pessoas não conseguem desenvolver essa satisfação interna que faz com que nos sintamos vitoriosos simplesmente por estarmos em paz com a vida, mesmo possuindo problemas, mesmo tendo questões sérias a resolver no dia-a-dia. É inevitável que se pense que a saída está na religião, mas dedicar-se a uma doutrina, seja qual for, pode ser apenas fuga e desenvolver a alienação. Mais do que rezar para um Deus profético e soberano, acredito que o que nos sustenta passa sim, por uma espiritualidade, porém menos dogmática. É o cultivo de um espírito de gratidão, sem penitências, culpas e outras tranqueiras. Gratidão por estarmos aqui e por termos uma alma capaz de detectar o sublime no essencial, fazendo com que todo o supérfluo, que não é errado desejar e obter, torne-se apenas uma consequência agradável desse nosso olhar íntimo e amoroso a tudo o que nos cerca.


Martha Medeiros

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um dia a gente cria juizo...

Pudim....por Marta Medeiros.

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúscula do meu pudim preferido.
Uma só.

Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',

tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . .

terça-feira, 23 de março de 2010

Não gineteia velhices quem nasceu para ser guri...


Vô Juvêncio...
Embora o corpo judiado pela impiedade dos anos, sob o chapeú a melena e semblante de veterano, mas tem a alma potranca a escramuçar vida fora,
risca paleta do destino com destreza nas esporas.
Sabedoria de homem feito, inquietude de menino, mescla certezas esperanças sem nunca perder o tino, com cismas de payador faz dos versos oferenda e os entrega ao Rio Grande como se fosse encomenda...
O tempo passa e não volta qual o gado pra charqueada, assim só olha pra trás quem na vida não foi nada, anda pexando a idade estribado no que há em si, não gineteia velhices quem nasceu para ser guri!

( Julio Saldanha)


sexta-feira, 19 de março de 2010

Olhando aqui pro lado...




Descobri que já tenho tudo que me faz feliz:
minha família que é minha bússola, minha filha que me ensina a cada dia o quanto é bom ser criança e que não existe amor maior, meus amigos, que são meu termômetro e são os melhores amigos que eu poderia ter, o meu amor que me faz feliz e tem de mim o que é de mais puro, e meu jeito infinitamente particular, com o qual conquistei tudo que tenho hoje: minhas músicas, minhas festas, as pessoas que atraí para perto de mim, as horas e horas de conversas, os eternos segundos de silêncio que são sim necessários.
Eu me respeito, e já nem caibo mais dentro de mim, como digo eu vivo nos extremos não caibo no estreito.
Agradeço todos os dias por todas as pessoas que cruzam na minha vida, pois cada uma é única, e por mais que só passem pela vida da gente sempre deixam algo, um sorriso, uma lição...
Não busco nada de exagerado. Aliás, detesto essa palavra. Do contrário quero a paz, família e os amigos reunidos, o amor do lado, uma boa música, o conhecimento e a natureza. Sempre que longe dos meus, encontrei amigos, que iluminam minha vida, me pegam pela mão e me mostram o melhor caminho, (nem que seja pra guia até a barraca, né Jessica)
Agradeço a Deus o sorriso daqueles que me cercam, sempre tornam o dia único e bem mais feliz.
A minha felicidade realmente está nas pequenas coisas... Um pôr-do-sol já é o suficiente para me levar longe, e às vezes me perco no fantástico mundo da Manu.Tenho teses, métodos e fórmulas. Mas o que realmente me move é o desconhecido, a descoberta e a espontaneidade!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Buscando ao entardecer um sonho além da cancela...


Quanta coisa nos revela uma paisagem de estrada, se a alma sabe ver e o coração sabe escutar...
(Rogério Melo)

Na paz do galpão...

A tarde cai, eu camboneio um mate
Junto ao braseiro do fogo de chão
O pai-de-fogo, puro cerne de branquilho
Queimando aos poucos na paz do galpão
O mesmo inverno coloreando o poente
Final de lida, refazendo o dia
Lá no potreiro meu baio pastando
No cinamomo um barreiro em cantoria
Por certo a tarde em outros ranchos da campanha
Por serem humildes tenham a paz que tenho aqui
Pois só quem traz sua querência dentro d'alma
Sabe guardar toda esta paz dentro de si
Encosto a cuia junto ao pé do pai-de-fogo
Chia a cambona repontando o coração
Nas horas mansas que a guitarra faz ponteio
Numa milonga pra espantar a solidão
É lento o tempo na paz do galpão
Ainda mais quando a saudade bate
As soledades vou matando aos poucos
Na parceria da guitarra e do mate
Então a noite se acomoda nos pelegos
Povoando os sonhos de ilusão e calma
Toda essa paz é um bichará pro inverno
Faz bem pro corpo e acalenta a alma.

Cesar Passarinho