segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Traiçao e semântica

Quando alguém diz, por exemplo, "João traiu Renata", a primeira coisa que me vem à cabeça é que João espalhou um segredo cabeludo que Renata havia lhe confiado, ou então que João entregou Renata para a polícia, ou ainda que João fugiu com todo o dinheiro que Renata havia economizado, que crápula. Nunca penso que João transou com outra mulher.
Trair pressupõe que algo foi feito contra alguém. E sexo não é algo que seja feito contra uma terceira pessoa. Sexo é sempre a favor, sempre pró, e sempre egoísta " não diz respeito a quem ficou do lado de fora do quarto. Faz-se sexo para dar e receber prazer, e não para prejudicar quem quer que seja. Traição é uma palavra dura demais para ser usada como sinônimo de infidelidade e adultério.
A palavra adultério é até romântica, remete à encontros clandestinos, beijos roubados, vidas secretas, roteiros de cinema, letras de samba. O adúltero " apesar de ter que carregar este palavrão nas costas " é na verdade um alegre.
Infidelidade já é uma palavra mais burocrática, boa para ser usada em tribunais, alegar quebra de contrato. É palavra comprida e possui um certo status, parece coisa de estelionatário graúdo, gente com conta em paraíso fiscal .Pensando bem, conta em paraíso fiscal é uma metáfora que se aplica perfeitamente a romances paralelos. Mas estelionato é crime, e infidelidade não é. O infiel é um inofensivo, vende fácil seus carros usados.
Os infiéis não metem medo, os adúlteros possuem um charme boêmio, então, na falta de uma palavra mais intimidante, apela-se para "traidores", a fim de arrancar deles alguma culpa, remorso, vergonha. Mas que ninguém se engane: a palavra traição está combinando cada vez menos com a realidade sexual vigente. Ninguém está batendo palmas aqui para a poligamia. Estou apenas refletindo sobre a adequação e a inadequação de certos vocábulos. Traição? Convém enfrentar os revezes amorosos sem mexicanizar demais a cena.

No início de todo romance, homens e mulheres se satisfazem plenamente um com o outro, mas com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente, e parcialmente pode ser mais que suficiente quando inclui amizade, cumplicidade, diversão, leveza. Porém, a parte que começa a faltar "a sedução " deixa o campo aberto para novas experiências, que podem acontecer ou não. Nada disso tem a ver com desamor. Pode-se amar alguém e sucumbir a uma aventura. Não estou dizendo nenhuma novidade, estou? Há algum inocente no recinto?
Toda traição pega você desprevenido. A infidelidade, ao contrário, é sempre uma possibilidade, mesmo quando parece improvável. E não, não há nenhum inocente no recinto.

Martha Medeiros

Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida.

Quem é você? Do que gosta? Em que acredita? O que deseja? Dia e noite somos questionados, e as respostas costumam ser inteligentes, espirituosas e decentes. Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores. Ora, quem sou eu. Sou do bem, sou honesto, sou perseverante, sou bem-humorado, sou aberto - não costumamos economizar atributos quando se trata da nossa própria descrição. Do que gostamos? De coisas belas. No que acreditamos? Em dias melhores. O que desejamos? A paz universal.

Enquanto isso, o demônio dentro de nós revira o estômago e faz cara de nojo. É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém é tão imaculado assim.

A despeito do nosso inegável talento como divulgadores de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos não tem tanta importância. Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. O que você diz - com todo o respeito - é apenas o que você diz.

Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio do percurso, então seguimos nos anunciando como bons partidos, incrementamos nossas façanhas, abusamos da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop que pudesse sumir com nossos defeitos. Mas é na reta final que nosso passado nos calará e responderá por nós.

Quantos amigos você manteve.

Em que consiste sua trajetória amorosa.

Como educou seus filhos.

Quanto houve de alegria no seu cotidiano.

Qual o grau de intimidade e confiança que preservou com seus pais.

Se ficou devendo dinheiro.

Como lidou com tentativas de corrupção.

Em que circunstâncias mentiu.

Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons.

Que impressão causou nos outros - não naqueles que o conheceram por cinco dias, mas com quem conviveu por 20 anos ou mais.

Quantas pessoas magoou na vida. Quantas vezes pediu perdão.

Quem vai sentir sua falta. Pra valer, vamos lá.

Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil. A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto. Cazuza já nos cutucava: suas idéias correspondem aos fatos? De novo: o que a gente diz é apenas o que a gente diz. Lá no finalzinho, a vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de nossas mentiras.

Martha Medeiros

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amor-sonrisal.

O amor é uma coisa hilária. Ou trágica. Aliás, que porra é essa - o amor - que todo mundo fala, apregoa, banaliza e desperdiça o tempo inteiro? Hoje ela me ama. Amanhã não me ama mais. Depois de amanhã me odeia. Que putaria é essa?
Como fonte de minha idignação da vez, usei orkuts, blogs e fotologs. O uso esculhambativo do verbo amar está cada vez mais evidente. É mais desperdiçado que água em banho de mulher. É declaração de amor pra amigos, parentes, paixões, animais, fins de semana, fodas, festas e viagens. E agora? Da próxima vez que eu ouvir "eu te amo", vou dar que importância? A volatilidade desse tal amor me faz acreditar que isso aí é só uma palavrinha para que músicas sertanejas continuem a serem compostas. A mulherada de hoje vomita um "eu te amo" pra um cara que mal conhece, que mal convive. Será isso uma satisfação, uma desculpa para si mesma pelo fato de ter-lhe aberto as pernas? Como diria o segundo bêbado mais famoso da Internet, Leonaldo: SÓ PODE!
(Pra quem não conhece: http://www.youtube.com/watch?v=wrIi0_n4ZNs).
Sou sincero em falar: estou cético. Você já viu a rapidez que essas meninas colocam "o amor de minha vida", "meu amor" ou simplesmente "mô" nas legendas de fotos com seus respectivos machos? O INTERESSANTÍSSIMO é que tem álbum em que as legendas não mudam, só a foto do sujeito mesmo. Já vi mulher com uns três "mô" diferentes só esse ano. Sem contar o status do perfil: "casado"! Mesmo que esteja só ficando - ou dando umazinha. E quando casar, vai colocar o quê? "Casado DE VERDADE!"?. (Vou sugerir ao Orkut). Acho que as mulheres estão se confundindo com gatas (o animal mesmo), que dizem ter sete vidas. Afinal, é tanto "o homem da vida" que HAJA VIDA pra tanto macho. É bom demais!
Não se deve ignorar também as declarações via depoimento. Como se ama, esse povo! Ou seria pobreza de vocabulário mesmo, pra descrever outro qualquer sentimento, se não amor? O pior é que, quando ouvimos um repentino "eu te amo" com 2 meses de relacionamento, se não quisermos perder a namorada, temos que retribuir com, no mínimo, um "eu também". Calma, mulher! Amor né só assim não! Eu sei que eu sou um cara massa, que gosta de você e te trata bem, mas vá devagar! Vamos nos conhecer! Deixa a convivência mostrar se é amor mesmo!
Diga que adora, que admira, que respeita, que sente saudade, que gosta muito, que IDOLATRA. Mas ainda não existe verbo mais poderoso que "amar". Saiba como usar, e com quem usar. Uma vez dita a uma pessoa carente, isso vai mexer com a vida dela. Ela acreditará, se entregará. E se de repente esse seu amor-sonrisal acabar? Vai acabar com vida da outra pessoa junto. Amor, antes de tudo, é RESPONSABILIDADE. Se você ama de forma altruísta, a outra pessoa não precisa saber. Apenas ame. E diga só quando chegar a hora certa.

Gerson Hollanda

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Imundicia amada

Hoje parei pra pensar nos rumos que a vida da gente toma, chega a ser engraçado o quanto eu tenho me preocupado em dizer as pessoas importantes, o quanto sao importantes. a verdade é que, se depois de tantos anos a coisa prevalece é por que é forte e é sincera. como diz aquele ditado " quem é de verdade, sabe quem é de mentira". Por mais que a vida esteja corrida, de vez enquando eu paro e penso, lembro que tem alguém que posso contar desde 2008, e que apesar de algumas diferenças, é das amigas mais verdadeiras que ja encontrei em vinte anos.

E a gente se encontra e parece que foi ontem que a gente ria de tudo e queria da-lhe pau em todo mundo que nos encomodava.

Toda essa enrolaçao é só pra te agradecer pelo "sempre" pelo "tudo" pelo " a qualquer hora que seja necessario".

domingo, 8 de agosto de 2010

Mais que pai e avô

os teus conselhos que forjaram homens
que prendaram moças pela vida afora
Indicando rumos, demarcando trilhas
E abençoando aqueles, que se vão embora...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu sei...

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colassanti

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Imperdivel

- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;
Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade.
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária.
É coisa de gente otária.
- Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.
Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.
Brasileiro tem um sério problema.
Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

- Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

Brasileiro é vagabundo por excelência.
O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários da bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.
- Brasileiro é um povo honesto. Mentira.

Já foi; hoje é uma qualidade em baixa..
Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso.
Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.


- 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.

Já foi.
Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da
Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente.
Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.
Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

- O Brasil é um pais democrático. Mentira.

Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.
Num país onde todos têm direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia.
Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores).
Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

Democracia isso? Pense!

O famoso jeitinho brasileiro.
Em minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira.
Brasileiro se acha malandro, muito esperto.
Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?
Afinal somos penta campeões do mundo né?
Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos.
Dessa vergonha eles se safaram...
Brasil, o país do futuro!?
Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro.
Puxa, essa eu não vou nem comentar...

O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.
Para finalizar tiro minha conclusão:


O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente.
Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta.
Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.
Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?



Arnaldo Jabour

domingo, 18 de julho de 2010

Escuta guria teu bisavô


No colo manso do Avô
Ouvia com atenção
Histórias de campereadas
Causos de revolução
De bailantas e rodeios
E sua grande paixão
Que era escutar o floreio
De uma gaita de botão

Um dia disse baixinho
Toma essa gaita guria
Quando o Vô tiver velinho
Tu canta pra ele dormir
Fechou os olhos sorrindo
Para em seus sonhos levar
A lembrança da gaitinha
Que eu aprendi a tocar




Composição: túlio urach adaptada por Emanuele

Quem chora pra Deus tem resposta!


Quem vê o crente sorrindo
De repente pode até pensar
Que o crente 24 horas
Vive sem motivos pra chorar
Mas há uma diferença
Quando o crente enfrenta os problemas seus
É que o crente não chora pro mundo ouvir
Ele chora pra Deus.

Seu pranto no céu é ouvido
E Deus se põe a responder
E mesmo que seja um gemido
Deus sabe qualquer gemido entender
E logo o Espírito Santo
Faz no coração consolo sentir
Por isso é que o crente só chora
Pra Deus ouvir.

Quem chora pra Deus, tem resposta
Porque Deus não suporta
Ver a lágrima de um crente e não agir
O céu se comove na hora
E vem a vitória
E não há no mundo quem possa impedir
Uma lágrima pra Deus é uma frase
Que só Deus tem o poder de interpretar
E o crente chora pra Ele porque sabe
Que Ele é o único que pode consolar

( Elaine de Jesus)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

QUANTO MAIS GENTE EU CONHEÇO

Prefiro quem nega estribo
a quem finge a mansidão;
amigo não dá recibo,
mas guarda no coração...
Quem é bom eu reconheço
não é fácil encontrá-lo...
Quanto mais gente eu conheço,
mais me apego ao meu cavalo!

Há quem se vende por ouro,
por posição ou vintém,
aceita marcas no couro
e não releva ninguém...
Pois quando um homem tem preço
é somente alguém pagá-lo!
Quanto mais gente eu conheço,
mais me apego ao meu cavalo!

Tem muito dissimulado
que adula gente graúda,
desfaz em quem é "pelado",
trai o irmão, igual ao Judas,
age pensando ao avesso,
bate o sino sem badalo...
Quanto mais gente eu conheço,
mais me apego ao meu cavalo!

Quem fala da vida alheia,
do próprio "rabo" se esquece;
vive fazendo peleia,
magoa quem não merece...
Tudo tem o seu começo,
nada surge de regalo!
Quanto mais gente eu conheço,
mais me apego ao meu cavalo!

Quem não me entende direito
se espanta e diz que eu sou rude;
tentei domar o meu jeito,
só que, até hoje, não pude!
Quem me ajuda eu não esqueço...
Quem me ataca leva um pialo...
Quanto mais gente eu conheço,
mais me apego ao meu cavalo!
(Rodrigo Bauer)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A NOSSA REALIDADE

"Brasil ficou entre 8 melhores do mundo no futebol e ficou triste.
Mas é o 85º em educação e não há tristeza."
(Senador Cristovam Buarque)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um tempo que passou ja fazem luas...

                                                                                 

 

  As retinas que se agrandam no horizonte
Num aceno sem querer olhar pra trás...
Ficou um velho tempo me mirando na cancela, e
 enquanto observava, viu, com seus olhos de confiança e satisfeita que suas palavras de saber nao foram em vao...
E hoje volto, repisando o meu rastro
Cheiro de pasto, mesma cancela...Pra nunca mais...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Seu Lopes...

Chega um dia que temos que reconhecer que não existe coisa pior do que correr o risco de não ter dito, de não ter deixado uma pessoa saber o quando a admiramos, o quando essa pessoa é importante, e o quando ela nos faria falta. E deixamos de falar do orgulho que nos causa, e as tantas coisas que tiramos de exemplo para ter uma vida melhor, mais feliz.
Existem muitas outras coisas a serem ditas, essas tio Aneci, te direi pessoalmente, naquele churrasco com toda família reunida, por que a gente sabe que depois da tempestade vem a bonança, e que para Deus não existe impossível

quinta-feira, 17 de junho de 2010

No mais não mudei


Eu sou guria do campo na cidade
Com a mesma liberdade das distâncias...
Apenas o meu verso é que mudou
De doce se amargou
Chorou infância...

No mais eu não mudei
Ainda canto milongas no violão, que é mais um vício
E busco na janela a inspiração
Falando de um galpão neste edifício...

Eu quero manter vivo o que sorri
No tempo que eu nem vinha na cidade...
E agora, que ironia, eu sou saudade...
Querendo achar o tempo que perdi!!!

Cristiano Quevedo adaptada

Sei lá a vida tem sempre razäo...

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação


Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão


A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não


Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão

Vinicius de Morais

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sinto falta da bonança do meu sorriso criança

Perdido procuro os campos e poente multicor
Já não vejo pirilampos alumiando corredor
Sinto falta da bonança do meu sorriso criança
Resquícios de brisa mansa as laranjeiras em flor

Nessa lembrança vem saudade da distância
A minha infância se bandeou pra o lado oposto
Vai derramando a pipa d'água de meus olhos
Deixando trilhas pelas rugas do meu rosto

Cadê a tropa de mentira que jamais teve refugo
O meu lacinho de imbira boleadeiras de sabugo
A tropilha malacara se perdeu numa coivara
E meu potro de taquara me fugiu com laço e tudo
Perdi o caniço franzino nas águas turvas do açude
Rolou meu sonho menino que nem bolita de gude
Sumiu a estampa fagueira qual pandorga caborteira
Numa tarde domingueira campeando minha juventude

Com seu bodoque certeiro pacholice de piá
O mundo mal atraiçoeiro me abateu como a um sabiá
Nos alambrados da vida campeio a infância perdida
Que as arapucas bandidas deixaram ao Deus dará...

Lá eu tinha tudo...

Agora eu sei que tinha um céu aberto
E que no pátio era mais liberto
Pois era livre por saber sonhar
(Lambari)